quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Variações Acerca da Ilusão

Variações Acerca da Ilusão

A casa onde mora ilusão
não é um buraco no vão
um argumento destituido
inconsistente e diluído

Não tem no juízo a razão
desconhecimento empírico
sem estatuto científico
desejo de pura expressão

Ilusão tem a cara de musa
de natureza doce e confusa
e insinua a real fantasia

É a mãe do fogo da criação
tem como amiga a inspiração
habita o reino da poesia.

Wasil Sacharuk
novembro 2009

terça-feira, 17 de novembro de 2009

O Futuro do Hoje

O Futuro do Hoje

Hoje acordei a fluidez
Cores escorriam brancas
Na tela azul daquele dia
Ouvi sorrisos de criança

Hoje rasguei a minha tez
Avancei minhas retrancas
Reli um livro de poesia
Plantei semente de esperança

Hoje chamusquei velhas folhas
Bolhas de sabão eu pintei!
Hoje prometi para o ontem
Não me esquecer do amanhã

Hoje repensei as escolhas
Nas asas da fênix viajei
Ergui a alma sobre o monte
Novo colorido a uma tela vã

A obra, cujo título é futuro
Hoje acaba de ser iniciada
Com pinceladas de verdade
Aladas ondas na própria tela

Vou iluminar o tom escuro
Novo horizonte e nova estrada
Serão os objetos da vontade
Um abraço na vida mais bela.

Márcia Poesia de Sá & Wasil Sacharuk
novembro 2009

Variações Acerca da Ilusão

Variações Acerca da Ilusão

A casa onde mora ilusão
não é um buraco no vão
um argumento destituido
inconsistente e diluído

Não tem no juízo a razão
desconhecimento empírico
sem estatuto científico
desejo de pura expressão

Ilusão tem a cara de musa
de natureza doce e confusa
e insinua a real fantasia

É a mãe do fogo da criação
tem como amiga a inspiração
habita o reino da poesia.

Wasil Sacharuk
novembro 2009

Glossolalia, um acróstico

Glossolalia, um acróstico

Ana conhece os segredos:

Língua solta e fantasia!
Ísso mesmo...
Não acredita?
Glossolalia!
Uma amiga imaginária...
Atômica companhia

Dialética da fascinação
E Ana sabe a razão...

Ana conhece a magia
Navega em outros mundos
Aos auspícios da poesia.

Wasil Sacharuk
novembro 2009

Soneto Previdenciário

Soneto Previdenciário

O INSS não cumpre sua parte
só pelas vias do judiciário
faz do enfermo um descarte
espera morrer o beneficiário

O governo garante remédio
e promete a aposentadoria
o vivente morre de tédio
esperando pelo grande dia

Cidadão preso nas malhas
já habituado com as falhas
sem consideração terapêutica

O objetivo previdenciário
entregar o vivente otário
para a indústria farmacêutica

Wasil Sacharuk
novembro 2009

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Coesivos Entantos

Coesivos Entantos

Estelar reluz ente
Reluzidos encantos
Coloridos recantos
amor incandescente

Pois devias saber
contudo,
insistes
não ouvir
meu coração

Metafísica semente
destituídos santos
coesivos entantos
corporeidade presente

Pois farias chover
entretanto,
resistes
em sucumbir
à minha sedução.

Wasil Sacharuk
novembro 2009

domingo, 15 de novembro de 2009

SIGNIFICADO - acróstico

SIGNIFICADO - acróstico

Signo sinal é
Identificado;
Guia geral é
Normatizado;
Intelectual ou
Coisificado;
Acepcional ou
Dicionarizado;
O significado...

Wasil Sacharuk
novembro 2009

O Contrato

O Contrato

A caneta azul...
os rabiscos no papel...
cadeira virada...
e mancha avermelhada

O nobre poeta
foi convidado ao céu
e foi de bicicleta
passou por papainoel

Na entrada cantaram hino
jingle bell jingle bell
junto a um anjo menino
de alcunha Capetael

Agora era menestrel
e correu entre flores
suspirou os odores
e escreveu um cordel

Durante a noite
pulou a grande fogueira
amanheceu na brincadeira
com o amigo Capetael

Apenas algo era certo
não era o céu conhecido
mas um paraíso aberto
mais bonito e colorido

O poeta se viu seduzido
e fez o poema da sina
brilhou em cada rima
por fim foi reconhecido

Foi um homem de sorte
só lhe faltava a morte
e Capetael era velho amigo
de um século antigo...

Wasil Sacharuk
novembro 2009

sábado, 14 de novembro de 2009

Lágrimas de Vidro - acróstico

Lágrimas de Vidro - acróstico

Luminosos cristais
Aguas gélidas salgadas
Granulados minerais
Ruínas segmentadas
Intensas ou só banais
Mas totalmente paradas
Assumem modos formais
Se não forem derramadas

Do sopro quente vem a areia
E vidro de lágrima mancheia

Vertem sais nesses canais
Inundando a estrada
De duras pedras em cadeia
Riscam súplicas em sinais
Ocultos nessa maré cheia.

Wasil Sacharuk
novembro 2009

Crisálida... Um Acróstico

Crisálida... Um Acróstico

Coberta na pupa de raias douradas
Revolveu-se uma futura borboleta,
Invocando o direito à liberdade...
Sentiu suas asinhas amassadas
Alaranjadas com pintas pretas
Lançadas ao vento dessa cidade...
Incrível! Mas que menina danada!
Deixou aquela casca obsoleta
Aos desígnios da fatalidade.

Wasil Sacharuk
novembro 2009

Com Cara de Pina Colada

Com Cara de Pina Colada

Cheguei nesse bar na madrugada
estava sozinho e lavei alguns copos
e os emborquei em frente ao espelho
fechei a janela e desliguei o aparelho

Na gaveta só havia algum troco
uma nota de cinco toda amassada
de alguma carteira foi expatriada
talvez de boêmio, poeta ou louco

E ainda bati no balcão meu joelho
segurei o chaveiro de pé de coelho
soltei um grunhido seguido dum soco
parece que a sorte pegou a estrada

E frente ao pior isso tudo é nada
juntei algum rum no leite de coco
ficou parecido com pina colada
no terceiro copo baixou o caboclo.

Wasil Sacharuk
novembro 2009

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Limerick express IX

Limerick express IX

O pingucento do sapo barbudo
exalta aquela vaca de peruca
com o discurso besta e sisudo
e a impávida cara de maluca...
Voto eletrônico não limpabunda!

Wasil Sacharuk
novembro 2009

Vocabulário

Vocabulário

Eu li palavras cegas
sem tréguas, sem regras...

e apenas uma me engana
na trama
na lama

sussurrada em versos
a quem se ama

Ainda assim
palavras adentram a noite
são espelhos, por fim
refletem na pele o açoite

palavra é irreal dimensão
imita formas e cores
toques e odores
paciência à sofreguidão

se minha palavra
é fato...
ou retrato
infiel abstrato
daquilo que a língua
não lavra

palavra...

Wasil Sacharuk
novembro 2009

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

No Breu da Loucura

No Breu da Loucura

Não sou eu um morigerado
na hipocrisia eu não caio
meu raciocínio empoeirado
encara improviso ou ensaio

Eu não estou derronchado
sequer partido por um raio
não sou mártir crucificado
nem no dia primeiro de maio

E quando a sina fica preta
a poesia vicia como boleta
que tanto mata quanto cura

No meu universo das letras
em versos, rimas e mutretas
fiat lux no breu da loucura.

Wasil Sacharuk
novembro 2009

Outra Vida Barata

Outra Vida Barata

Como tolo se viu enroscado
numa maldita engrenagem
voluntário na carceragem
espírito dócil e ultrajado

Rendido às malhas do cinismo
se fez escravo do estatuto
comprou tanto lixo bruto
para servir ao capitalismo

E comemorou com a festa
e decoração para o bolo
vítima de engodo com dolo
cliente do que não presta

Desconheceu o azedo gosto
do seu hálito embriagado
ocultou o pateta enganado
sob a maquiagem do rosto

Trabalhou por um trocado
para gastar em bobagem
e viveu na libertinagem
com sentimento comprado.

Wasil Sacharuk
outubro 2009

Brado

Brado

Bendita!
Baiúca bem bandoleira
beirando baita baderna
balcuciando boas besteiras

Babaquice babilônica
balbúrdia, boatos, balelas
Brasil beirando Babel
baita bafafá... berros!

Bispos batizam bacuris
barganhando bagatelas

Bagulho baixada bem barato
barganhando bagatelas

Barnabés bobos batalham
barganhando bagatelas

Bagunça banalizada
baile barracão
bajulando bacanal
baba baby
bate boca

Bate bateria
batuca
bum bum bum
bota barulho batucada
bota balanço bamba

Brasileira bonita
bota balda
balança bunda boazuda
bole bole balaio
bota banana
bamboleia

Bando bestial
bandidos bizarros
botam banca
bendizendo Brasília

Bondade banida
Bandeira brasileira
beirando bancarrota

Bom, brasileiro bacana
benevolente bocaberta
bebe barril birita bagaceira
bafejando budum...

Bonança!
Bom botar beiços bipartidos
baseado boleado
bota brasa
bota barato!

buuuuuuuuuuu!

Wasil Sacharuk
novembro 2009

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Lanterna do destino

Lanterna do destino

Brilha nos olhos de um menino
bem mais do que vã promessa
a vontade de ser real cidadão
pelas vias da melhor educação

Nas trevas de uma ética avessa
sem o raio de liberdade do hino
sem as letras na luz do destino
até que essa vontade esmoreça

O ronco da fome é a motivação
é bem mais fácil roubar ao irmão
deixar a loucura subir à cabeça
pois o poder só faz o escrutínio

Quiçá um dia o milagre aconteça
e se prevaleça o valor do ensino
com educação todo ser é divino
e cada um a si mesmo conheça.

Wasil Sacharuk
novembro 2009

sábado, 7 de novembro de 2009

Limerick express VIII

Limerick express VIII

O traidor de nove dedos
e o amigo mafioso italiano
juntos escondem segredos
sempre arquitetam o plano
e vale até dedo nos óio.

Wasil Sacharuk

Vertente

Vertente

Será o poeta...
um mero esteta
que finge o que sente
um coração ausente?

Se finge o que sente
logo, sente o que finge
está totalmente presente
ou, até mesmo, restringe

Em qualquer signo
deságua uma fonte
o coração é o desígnio
a poesia é o horizonte

Em qualquer obra
infiltrado o sentimento
que falta ou que sobra
na vertente do momento.

Wasil Sacharuk
novembro 2009

Famigerada figura

Famigerada figura

Feito fome
fazia furor febril
face fervente
foi fanático fomentando fúria
foi fervoroso feito fé
foi fumegante feito fumaça
foi flamejante feito fogo
fogo fátuo
foi funesto fato

forçou...
forçou...
felicidade finalmente
fez fogo fraco
faiscou fagulhas feridas

fez fortuna fabulosa
financiou farras
fanfarras
fisgou fêmeas fadadas
famosas financiadas
fantásticas formosas
feito fúteis fadas

faliu fábricas
forjou falácias
falsificou
foi facínora
formou falange

Fez favores
feitiçarias
foi fisgado
fichado

fígado foi furado
faca faiscante
fincado fundo
facada fatal

finalmente
faleceu
fatigado

Foi faceiro
foi feliz
foi fácil
foi fagueiro

foi famigerado fariseu
fiel fanfarrão
fatalmente
fará falta.

Wasil Sacharuk
novembro 2009

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Ganhei presentes...



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Wasil

Mais um ano que completa
a magia de Wasil
mago,músico e poeta
o melhor de meu Brasil

Palavra doce e de magia
versos amigos
que nos dão o ombro
palavras duras e do dia-a-dia
que nos causam certo assombro

Entre a tristeza e a alegria
baila a pena sobre o papel
eis que surge a poesia
Sacharuk,presente dos céus....

Heitor Murai

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SACHARUK - UM VIVENTE BAGUAL

Conheci um lobisomem
Meio poeta meio artista
Meio pai meio homem
Meio ateu meio humanista

Meio bruxo meio pessimista
Meio louco meio mago
Com poemas a perder de vista
Meio pouco meio sábio

Meio tudo meio anarquista
Meio ogro meio violinista
Meio mudo meio otimista
Meio lodo meio perfeccionista

Meio lúdico meio contista
Meio púdico meio sonetista
Meio sádico meio masoquista

Mas acima de tudo
Um completo amigo
Então eu o ajudo
A matear consigo

Enquanto ele lê meus versos
Em homenagem ao seu aniversário
Queria dizer que sou meio otário
Pois deixei passar um dia para meus manifestos

Parabéns Wasil Sacharuk

Decimar Biagini 05/11/2009
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Oi Sacha !

Um dia .
Um homem
Com jeito de Mago
Como por coincidência
Em nossas vidas..
Apareceu

Nos auxiliou
Criou confiança.....
Deu asas...
Batemos em lindo voo

Hoje
amadurecida
Agradeço-te de coração
essa ajuda sem intenções
Fez brotar amizades
Um novo sol
No céu de esperança
De nosso grandioso Brasil.

Ana Maria Marques
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Para o seu aniversário...

Um poeta, eu acredito,
jamais aniversaria...
Vira a página do escrito,
e compõe nova poesia,
transformando o manuscrito
em novo som e harmonia!

Desejo isso a você mano Wasil:
Muitas transformações, muita harmonia...
Muitas novas descobertas, muito amor, muita alegria...

Sonia Tarassiuk
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Ao que me acolheu - acróstico

Audiverimus Oh! Audiverimus
Oh! Maestro das letras

Que me convidou a passear
Um sonho revivido nestas veredas
Em prosas agora estou a cantar

Me acolheu de forma gentil
Eis que não titubeei o convite

Acolhida em família tão primaveril
Com orgulho me exponho em rimas
Oh! Maestro que me mostrou linhas
Leu-me e tratou de me ensinar
Há melhor dia que este a comemorar?
Em letras não rimadas mas sinceras
Um forte abraço de Parabéns caro amigo poeta

Por Dani Maiolo – 04/11/09

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UM SONETO COM O POETA SACHA

Sacha veio de um tempo
Em que as estrelas desciam do firmamento
Onde parava-se o vento
Com a força do mais filosófico pensamento

Parceriar com Sacharuk
É como retratar um fim de tarde
É duelo de "gran" mamute
É pisar no chão em alarde

O poeta em sua brilhante companhia
Torna-se herói sem glória
A preencher com letras a vida vazia

A fazer nos versos sua história
No entrelaçar de um soneto
Como se fosse o último dueto

Decimar Biagini
---------------------------------------------O mago

Brinca de inventar invenções
De criar idéias e idealizar sonhos
E nos dá emoções

Fulguram palavras fáceis em poemas
Simples que tornam importantes
E a rima exalta a ti

E o mago usa os poderes que lhe foi dado
A mão então brinca de escrever
E a ordem é ousar

Ousa ao criar, já nem sei o que falar
O que dizer se já está tudo lá no balcão
A cria da perfeição que o poeta sonhou mostrar

Se fosse o feedback de uma existência
Esse seria o Wasil o mago da metalingüística
Da epopéia criada a sua imagem

By André Fernandes
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Versos para Sasha

Montado em seu baio
Carregando bela princesa
Gaúcho que carrega o raio
Das palarvras de imensa beleza

Introspectando com chimarrão
Pensando na bela poesia
Dedicando a sua amada o coração
Trazendo-lhe todo dia a magia

Trovando na peleja deste Brasil
Insitente, amigo e cordial
Este é o gaúcho poeta Wasil
Sempre inebriante e viceral

Toda beleza das letras soltas
Trás ao seu bel prazer a gramática
Toda pureza da familia envolta
Em toda a felicidade enigmática

(Por Dani Maiolo)
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Magias de Sacharuk

Ele se diz obtuso
um cara um tanto confuso
vasto em pensamentos
mas pra falar,é um custo!

Mente vibrante...sagaz
admiro demais este rapaz
Pai afetuoso e doce
amante da bela musa

Crítico,inteligente
ateu por opção
mas Deus o ama muito
fez dele, até canção

Nas tuas músicas,viajo...
nas poesias divago....
vôo alto em tuas letras
piso no chão e te aplaudo!

O cara leciona,escreve....
emociona e compõe
dizem que ele é bruxo
faz de poesia poções....

E nas noites de lua cheia
nos encanta de alegria
nome estranho esse : Wasil
prefiro chamar-te....Poesia!

Márcia de Sá

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Nenhuma crendice é meu desatino

Nenhuma crendice é meu desatino

Quero o melhor ceticismo
para reverter toda crença
que não seja só cinismo
e que não traga desavença

Quero o caminho alargado
da existência excomungada
planar sob o céu do pecado
um guia pagão na estrada

O seu preconceito
é sua contradição
revelada num hino
a cruz no seu peito
o rosário na mão...

Sou o artíficie
do meu destino

Quero viver meu ateísmo
sem ouvir palavra pretensa
contradizer o determinismo
daquele que crê e não pensa

E não quero ser julgado
por qualquer lei forjada
e só quero ver respeitado
o solo onde marco a pegada

Eu tenho o direito
a não ter religião
pago caro desde menino
e não é um defeito
ser ateu ou pagão...

E nenhuma crendice
é meu desatino.

Wasil Sacharuk
novembro 2009

domingo, 1 de novembro de 2009

Nova Ordem da Poesia

Nova Ordem da Poesia

Nova dimensão
Ordem invertida
da composição
Poesia dividida

Nova sensação
Ordem ativa
da reunião
Poesia coletiva

Nova conexão
Ordem repartida
da cooperação
Poesia da vida.

Wasil Sacharuk
novembro 2009

Um desejo me consome

Um desejo me consome

Ah! Um desejo
me consome
de beijo
de fome
possuir tua alma
com cortejo
com calma
fazer do desejo animal
algo mais do que sonho
sensual
bisonho...

Mas esse sonho
me nutre e motiva
plantei semente
de sempre-viva
no lindo canteiro
do meu quintal
entre a arruda
o jasmim e a sativa
e espero o fim
do ciclo outonal.

Wasil Sacharuk
novembro 2009

Sobreviventes

Sobreviventes

A história é distante
um singular intento
e os fatos são bizarros

Cortei a linha do tempo
na essência de cada momento
habitante dos desterros

E o sol marcou no semblante
sem destino caminhante
junto ao esteio dos carros

Junto a mim aos passos lentos
aqueles outros antigos detentos
os sobreviventes dos enredos

E o sol reinou triunfante
mas não era mais como antes
agora o céu é de barro.

Wasil Sacharuk
novembro 2009

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Rico joga damas...

Rico joga damas...

Rico joga damas
grande estragegista
sabe todas as tramas
joga como um magista

Engole peça a peça
do suposto inimigo
e infla até a beça
de vaidade o umbigo

Mas Rico não é tonto
não dorme no ponto
contrataca o adversário
não é jogo para otário

Rico lança sua sorte
no desafio intelectual
num movimento diagonal
em direção ao norte

Rico é um cara esperto
que sabe gozar a vida
pois ele sabe o certo
para ganhar a partida

O segredo da vitória
é respeito e cortesia
escrever a sua história
na forma de poesia.

Wasil Sacharuk
outubro 2009

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Acerca do ácido

Acerca do ácido

A acidez dos meus versos
é de uma química reação
contracultura dos inversos
deus interior e fé na razão

Silhuetas e reflexos
o ritmo do coração
paradigmas e nexos
o inimigo e o irmão

A acidez dos meus versos
é sórdido inconformismo
atira em alvos esparsos
dardos de sincero cinismo

De gametas sem sexo
algoritmo e afinação
entre nadis e plexos
longe do sim e do não.

Wasil Sacharuk
outubro 2009

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Soneto da Insurreição

Soneto da Insurreição

Armado o complô da poesia
institui beleza profanada
e faz a certeza adulterada
estendido até nascer o dia

Tramado o complô da utopia
destitui a mesa consagrada
gira tonto na encruzilhada
possuído de encanto e magia

Faz-se a luz na conspiração
musa que sabota na redenção
enredada na trama dialética

Une os versos na conjuração
sobre as asas da inspiração
numa interpretação hermética.

Wasil Sacharuk
outubro 2009

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