AUDIVERIMUS em "Canon" - Sarabanda das Letras da NOVA ORDEM DA POESIA

sábado, 7 de novembro de 2009

Limerick express VIII

Limerick express VIII

O traidor de nove dedos
e o amigo mafioso italiano
juntos escondem segredos
sempre arquitetam o plano
e vale até dedo nos óio.

Wasil Sacharuk

Vertente

Vertente

Será o poeta...
um mero esteta
que finge o que sente
um coração ausente?

Se finge o que sente
logo, sente o que finge
está totalmente presente
ou, até mesmo, restringe

Em qualquer signo
deságua uma fonte
o coração é o desígnio
a poesia é o horizonte

Em qualquer obra
infiltrado o sentimento
que falta ou que sobra
na vertente do momento.

Wasil Sacharuk
novembro 2009

Famigerada figura

Famigerada figura

Feito fome
fazia furor febril
face fervente
foi fanático fomentando fúria
foi fervoroso feito fé
foi fumegante feito fumaça
foi flamejante feito fogo
fogo fátuo
foi funesto fato

forçou...
forçou...
felicidade finalmente
fez fogo fraco
faiscou fagulhas feridas

fez fortuna fabulosa
financiou farras
fanfarras
fisgou fêmeas fadadas
famosas financiadas
fantásticas formosas
feito fúteis fadas

faliu fábricas
forjou falácias
falsificou
foi facínora
formou falange

Fez favores
feitiçarias
foi fisgado
fichado

fígado foi furado
faca faiscante
fincado fundo
facada fatal

finalmente
faleceu
fatigado

Foi faceiro
foi feliz
foi fácil
foi fagueiro

foi famigerado fariseu
fiel fanfarrão
fatalmente
fará falta.

Wasil Sacharuk
novembro 2009

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Ganhei presentes...

Wasil

Mais um ano que completa
a magia de Wasil
mago,músico e poeta
o melhor de meu Brasil

Palavra doce e de magia
versos amigos
que nos dão o ombro
palavras duras e do dia-a-dia
que nos causam certo assombro

Entre a tristeza e a alegria
baila a pena sobre o papel
eis que surge a poesia
Sacharuk,presente dos céus....

Heitor Murai

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SACHARUK - UM VIVENTE BAGUAL

Conheci um lobisomem
Meio poeta meio artista
Meio pai meio homem
Meio ateu meio humanista

Meio bruxo meio pessimista
Meio louco meio mago
Com poemas a perder de vista
Meio pouco meio sábio

Meio tudo meio anarquista
Meio ogro meio violinista
Meio mudo meio otimista
Meio lodo meio perfeccionista

Meio lúdico meio contista
Meio púdico meio sonetista
Meio sádico meio masoquista

Mas acima de tudo
Um completo amigo
Então eu o ajudo
A matear consigo

Enquanto ele lê meus versos
Em homenagem ao seu aniversário
Queria dizer que sou meio otário
Pois deixei passar um dia para meus manifestos

Parabéns Wasil Sacharuk

Decimar Biagini 05/11/2009
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Oi Sacha !

Um dia .
Um homem
Com jeito de Mago
Como por coincidência
Em nossas vidas..
Apareceu

Nos auxiliou
Criou confiança.....
Deu asas...
Batemos em lindo voo

Hoje
amadurecida
Agradeço-te de coração
essa ajuda sem intenções
Fez brotar amizades
Um novo sol
No céu de esperança
De nosso grandioso Brasil.

Ana Maria Marques
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Para o seu aniversário...

Um poeta, eu acredito,
jamais aniversaria...
Vira a página do escrito,
e compõe nova poesia,
transformando o manuscrito
em novo som e harmonia!

Desejo isso a você mano Wasil:
Muitas transformações, muita harmonia...
Muitas novas descobertas, muito amor, muita alegria...

Sonia Tarassiuk
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Ao que me acolheu - acróstico

Audiverimus Oh! Audiverimus
Oh! Maestro das letras

Que me convidou a passear
Um sonho revivido nestas veredas
Em prosas agora estou a cantar

Me acolheu de forma gentil
Eis que não titubeei o convite

Acolhida em família tão primaveril
Com orgulho me exponho em rimas
Oh! Maestro que me mostrou linhas
Leu-me e tratou de me ensinar
Há melhor dia que este a comemorar?
Em letras não rimadas mas sinceras
Um forte abraço de Parabéns caro amigo poeta

Por Dani Maiolo – 04/11/09

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Nenhuma crendice é meu desatino

Nenhuma crendice é meu desatino

Quero o melhor ceticismo
para reverter toda crença
que não seja só cinismo
e que não traga desavença

Quero o caminho alargado
da existência excomungada
planar sob o céu do pecado
um guia pagão na estrada

O seu preconceito
é sua contradição
revelada num hino
a cruz no seu peito
o rosário na mão...

Sou o artíficie
do meu destino

Quero viver meu ateísmo
sem ouvir palavra pretensa
contradizer o determinismo
daquele que crê e não pensa

E não quero ser julgado
por qualquer lei forjada
e só quero ver respeitado
o solo onde marco a pegada

Eu tenho o direito
a não ter religião
pago caro desde menino
e não é um defeito
ser ateu ou pagão...

E nenhuma crendice
é meu desatino.

Wasil Sacharuk
novembro 2009

domingo, 1 de novembro de 2009

Nova Ordem da Poesia

Nova Ordem da Poesia

Nova dimensão
Ordem invertida
da composição
Poesia dividida

Nova sensação
Ordem ativa
da reunião
Poesia coletiva

Nova conexão
Ordem repartida
da cooperação
Poesia da vida.

Wasil Sacharuk
novembro 2009

Um desejo me consome

Um desejo me consome

Ah! Um desejo
me consome
de beijo
de fome
possuir tua alma
com cortejo
com calma
fazer do desejo animal
algo mais do que sonho
sensual
bisonho...

Mas esse sonho
me nutre e motiva
plantei semente
de sempre-viva
no lindo canteiro
do meu quintal
entre a arruda
o jasmim e a sativa
e espero o fim
do ciclo outonal.

Wasil Sacharuk
novembro 2009

Sobreviventes

Sobreviventes

A história é distante
um singular intento
e os fatos são bizarros

Cortei a linha do tempo
na essência de cada momento
habitante dos desterros

E o sol marcou no semblante
sem destino caminhante
junto ao esteio dos carros

Junto a mim aos passos lentos
aqueles outros antigos detentos
os sobreviventes dos enredos

E o sol reinou triunfante
mas não era mais como antes
agora o céu é de barro.

Wasil Sacharuk
novembro 2009

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Rico joga damas...

Rico joga damas...

Rico joga damas
grande estragegista
sabe todas as tramas
joga como um magista

Engole peça a peça
do suposto inimigo
e infla até a beça
de vaidade o umbigo

Mas Rico não é tonto
não dorme no ponto
contrataca o adversário
não é jogo para otário

Rico lança sua sorte
no desafio intelectual
num movimento diagonal
em direção ao norte

Rico é um cara esperto
que sabe gozar a vida
pois ele sabe o certo
para ganhar a partida

O segredo da vitória
é respeito e cortesia
escrever a sua história
na forma de poesia.

Wasil Sacharuk
outubro 2009

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Acerca do ácido

Acerca do ácido

A acidez dos meus versos
é de uma química reação
contracultura dos inversos
deus interior e fé na razão

Silhuetas e reflexos
o ritmo do coração
paradigmas e nexos
o inimigo e o irmão

A acidez dos meus versos
é sórdido inconformismo
atira em alvos esparsos
dardos de sincero cinismo

De gametas sem sexo
algoritmo e afinação
entre nadis e plexos
longe do sim e do não.

Wasil Sacharuk
outubro 2009

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Soneto da Insurreição

Soneto da Insurreição

Armado o complô da poesia
institui beleza profanada
e faz a certeza adulterada
estendido até nascer o dia

Tramado o complô da utopia
destitui a mesa consagrada
gira tonto na encruzilhada
possuído de encanto e magia

Faz-se a luz na conspiração
musa que sabota na redenção
enredada na trama dialética

Une os versos na conjuração
sobre as asas da inspiração
numa interpretação hermética.

Wasil Sacharuk
outubro 2009

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Outra Vida Barata

Outra Vida Barata

Como tolo se viu enroscado
numa maldita engrenagem
voluntário na carceragem
espírito dócil e ultrajado

Rendido às malhas do cinismo
se fez escravo do estatuto
comprou tanto lixo bruto
para servir ao capitalismo

E comemorou com a festa
e decoração para o bolo
vítima de engodo com dolo
cliente do que não presta

Desconheceu o azedo gosto
do seu hálito embriagado
ocultou o pateta enganado
sob a maquiagem do rosto

Trabalhou por um trocado
para gastar em bobagem
e viveu na libertinagem
com sentimento comprado.

Wasil Sacharuk
outubro 2009

domingo, 25 de outubro de 2009

Ágape

Ágape

Andava altiva
angelical
avançando ares
avançando avenidas

abdicou as amizades
aspirava alimentar amor

acreditar amor às antigas?
ah ah ah ah

áries ascendente áries
aura alto astral
auspiciosa

Alcunha: Amanda,
a Avassaladora...
astuta artista
acessível

Acenou...
acintosamente
abordou alguém...
assim... alguém...
aleatório
almejava algo anônimo

Assinaram acordo
afoitos, adentraram a alcova

acendeu abajur
abriu as alças
abraçou apaixonada
acariciou
abrasante
atirou-se ao amor animal
abrupto
acoplados

Amanda, acesa, ardente
abaulando as ancas
arqueava abundantemente
ajoelhada abocanhava

assim... arrebatadora
afim... adentrada

assimilou
até abarrotamento
abençoada
ao amor abreviado
a alma absoluta
alma abastecida

Assistia ao amante
abafado
abatido
aspirações aceleradas
aturdido
absorvido

Apenas absorvido alimento
à alma avassaladora
abusado

Amanda abaixada
assistia ao amante
acabado

afinal, avião aterrisou

Amanda agradeceu.

Wasil Sacharuk
outubro 2009

sábado, 24 de outubro de 2009

Vontades Comprimidas



VONTADES COMPRIMIDAS

Nas reentranças
das tranças
da vida...
espremi a vontade
comprida.
Esticada,
não cabe na mala...
mesmo encolhida,
entala

Nos entretantos
nos cantos
na lida...
a oculta necessidade
sentida.
Sonegada,
enterrada na vala...
mesmo reprimida,
não cala.

Juleni Andrade & Wasil Sacharuk
outubro 2009

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Quando o poeta tem um fã

Quando o poeta tem um fã

Manipular a beleza das letras
me arremessa contra o céu
e eu atravesso os planetas
de um móbile de papel

Poeta vive de cortesia
poeta vive dessa emoção
pensa a vida em poesia
busca nas letras a lição

E quando o poeta tem um fã
mergulha num mar de incerteza:
será que ele tem mente sã?
onde foi que ele viu a beleza?

Wasil Sacharuk
outubro 2009

O vermelho aflorou meus desejos


O vermelho aflorou meus desejos

Acordei cedo
não estavas
do lado direito
senti um medo
um aperto no peito
e fui ao banheiro
olhei no espelho
nenhum recado
procurei pelos beijos
encontrei o vermelho
e o vermelho
aflorou meus desejos.

Wasil Sacharuk
outubro 2009

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Divagações e emaranhados

Divagações e emaranhados

Eu lancei uma palavra no ar
e descobri que quando ela escorrega
nas brincadeiras bobas das letras
e nas experiências do pensar
fica muito difícil controlar
e desemaranhar as letras pretas
nos versos da minha entrega.

Essas letras escondem a surpresa
de intensidade demais sorrateira
que rasga a boca muda dos segredos
e a voz sai bem na ponta dos dedos
e das insanidades a poesia é parteira
já que não tem nenhuma certeza
de metafísicas ou outra besteira

E me reconheço em quaisquer versos
como uma gênese do meu sacramento
de pensar emoção na idéia sentida
pois é só reunir fragmentos diversos
com outros monstros que enfrento
e coloco nas rimas a verdade mentida
para fazer frente aos meus inversos

E só o que sinto nesse momento
constitui o pensamento edificante
pois sempre espero por essa certeza
e questiono se sinto o que penso
Porém, disso eu não sou confiante
aquilo que penso não sei se sustento
eu vivo na busca dessa delicadeza

Se acaso um poema seja um instante
que emana de um contexto reflexivo
disso também eu não tenho certeza
mas sei que se faz reconfortante
quando mostra o intento discursivo
se faz travestido da impura beleza
para o meu gozo egocêntrico abusivo.

Wasil Sacharuk
outubro 2009

Quando eu respirei poesia

Quando eu respirei poesia

Eu encontrei a chave
que abre o sol do novo dia
esqueci de todo o entrave
quando eu respirei poesia

Eu estive no cais
que quebra a onda insana
com dois poemas ou mais
a mente que cria engana

Precisei reverter a maré
dialogando com as letras
conheci o segredo da fé
azul claro e letras pretas

Desbravei uma nova fronteira
para ser o par da parceria
e cravei por aí a bandeira
do convívio em harmonia

Descobri, então, perplexo
que a poesia é grande amiga
dela não sou desconexo
e chamamos a vida pra briga.

Wasil Sacharuk
outubro 2009

domingo, 18 de outubro de 2009

Encanto e jogos de sedução

Encanto e jogos de sedução

Me disseram
que uma tal mãe-de-santo
sabe incendiar
qualquer relação

com fogo
mel e encanto
e alguns jogos de sedução

Souberam
sem talvez ou entretanto
a mula vai enganar
quase toda nação

com discurso
promessa e encanto
e alguns jogos de sedução

Contaram
que um padre quase santo
queria muito abençoar
a criança que fazia oração

com penitência
perdão e encanto
e alguns jogos de sedução.

Wasil Sacharuk
outubro 2009

sábado, 17 de outubro de 2009

Enquanto a sereia dormia...

Enquanto a sereia dormia...

Nos seixos imersos na água
o augúrio
estava lá
com signos da maré cheia
e inscrito nas pedras

O trovão de lava e mágoa
a injúria
cuspia fogo
contra a vã feitiçaria
de pretensas musas belas

Sob a lua sentinela da praia
sem lamúria
e com dignidade
esperei sentado na areia
o mar acordar a sereia.

Wasil Sacharuk
outubro 2009

Espaço sem fundo

Espaço sem fundo

Espaço sem fundo
enche o vazio
devolve do abismo
outro fim do mundo
preso sem fio
em suave cataclismo
pela seca inundação
a doçura de um choque
entre a cabeça e a pedra
entre o sim e o não
o chão e o paraqueda
o declive e a suspensão.

Wasil Sacharuk
outubro 2009

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

O silêncio do breu

O silêncio do breu

Luz ausente na escuridão
é ignição de mente obtusa
é o amor perdido de musa
aquela falta de inspiração

Distante das letras
por sob o véu
sem as canetas
nenhum papel

Breu que mora na escuridão
garantia de frio no inverno
é azul das nuvens do inferno
é o fogo de toda a criação

Distante dos cometas
por sob o céu
sem os gametas
nenhum menestrel.

Wasil Sacharuk
outubro 2009

Turbilhão

Turbilhão


Turbilhonava tornado
tramando torvelinho
tachando Terra tal tola
traçando torta trajetória

Tivesse tragédia testado
todas tradições
todos temerosos
tantos tabefes tomados
tantos tropeços
tanta teimosia

Todavia
terráqueos trataram
temido tsunami
tal troço tosco
tocando tensão toda Terra
transbordando tudo...

Trouxe tempestades tropicais
terríveis terremotos
transfigurações
tufões
tumultos

Tudo tolerado
tão tácito...
Tão taciturno
trouxe tanta tristeza

Talvez Terra
tentasse triunfar
traduzindo teor tristezas
trabalhando... trabalhando

Todos tecemos
Terra terminar...
Tampouco
Terra treme

Tão tocante...
todo território tomado
tórrida tortuosidade

Traidores
tacanhos tiranos
tramam tragédias
transgredindo tendências
trapaceando

Terra tonta tombando
tempo terminando
tic-tac tic-tac!

Wasil Sacharuk
outubro 2009

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Bolhas de Abstração



imagem: Bolhas de abstração by Dhenova

Bolhas de Abstração

Bolhas de sabão
Com risos infladas
De todas as cores

Bolhas da paixão
Com risos deixadas
De todos amores

Bolhas da razão
Com risos pensadas
De todos clamores

Bolhas da religião
Com risos comungadas
De todos pudores

Bolhas do perdão
Com risos vingadas
De todos horrores

Bolhas do corpo são
Com risos curadas
De todas as dores

Bolhas do tesão
Com risos transadas
De todos ardores

Bolhas na imensidão
Com risos estouradas
De todos temores.

Wasil Sacharuk
dezembro 2008

Tolo Homem

Tolo Homem

Sobre os ombros o estigma
da eterna insatisfação...
evitou conhecer o espelho
viveu a suplicar de joelhos
por uma oferta de pão

Apenas mais um tolo homem
nem notou que viveu o inferno
jurou odiar o demônio
e após contraiu matrimônio
a procriação e o respeito terno

Condenado à vida comum
como um medíocre enfadonho
por covardia evitou o temor
por pecado sonegou o amor
abraçado num preceito medonho

Nem no Hades e nem no céu
disputaram sua triste presença...
tomou o seu rumo a pé
trilhou o caminho da fé
e morreu na indiferença.

Wasil Sacharuk
outubro 2009

terça-feira, 13 de outubro de 2009

ERA UMA ESTRELA - acróstico

ERA UMA ESTRELA

Era estrela ardente
Rara e tão distante
A deusa da constelação

Um dia se fez cadente
Morreu após o horizonte
Abriu a porta da imensidão

E surgiu tão soberanamente
Soerguida sobre o monte
Tomando o campo da visão
Reinou só mais um instante
Ergueu perfazendo uma ponte
Lançada contra a vastidão
Alçou a alma diferente.

Wasil Sacharuk
outubro 2009

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

A Parceriar Um Soneto

A Parceriar Um Soneto

Caminhar ao lado, partilhar o fardo
Versejar amparado, brindar o legado
Escrever alegrado, deixar um recado
Amenizar o fado, num mate amargo

Sonetar inspirado, o amigo ao lado
E rimar encaixado o verso cadenciado
Com o dedo esticado bolinando teclado
O desejo estimulado de tomar um trago

A vida é vadia e a idéia é ousadia
O poeta escandia e o leitor alivia
O canto é harmonia, o soneto maestria

A morte espia, o verso livre judia
O poeta assovia, o leitor o aprecia
O canto é poesia, o soneto é sintonia.

Decimar Biagini e Wasil Sacharuk
outubro 2009

Nova Ordem da Poesia - acróstico

Nova Ordem da Poesia

N ão é o novo
O velho refeito
V álvula do povo
A modificar o perfeito

O mundo precisa
R efazer a organização
D a frase concisa
E m renovação
M otriz da vida

D a nova ordem
A nova sina dos versos

P oetas da nova era
O rganizam o movimento
E spalham pela atmosfera
S uas razões e sentimentos
I nvertem o giro da Terra
A rabiscar o encantamento.

Decimar Biagini e Wasil Sacharuk

A LUA BRILHA NO ALTO - acróstico

A LUA BRILHA NO ALTO

Assim se fez a noite:

Lua escondida dos lobos
Uivantes à espreita na rua
A noite, estão. se insinua

Brilha um risco no mar
Reluz até o horizonte
Ilumina o teto estelar
Lume no alto do monte
Horas a fio ao reponte
Assume o risco de amar

Norte, sul, leste ou oeste
O luar da vida e da peste

Alta no astral firmamento
Liberta a noite à revelia
Traduz em verso o momento
O motivo de escrever poesia.

Wasil Sacharuk
outubro 2009

Ilha virtual



Ilha virtual

Na cibernética ilha
há um mundo confinado
e fotos da minha filha
Abraçando o namorado

Tenho música e poesia
Ao alcance dos sentidos
Mas também tem porcaria
de autores enrustidos

Na minha ilha cabe tudo
face a face com o abecê
se diz muito em som mudo
Control A e control vê

E nesse mundo virtual
nosso convívio repercute
me faço poeta nacional
no youtube e no orkute.

Wasil Sacharuk
dezembro 2008

domingo, 11 de outubro de 2009

Outra Noite na Viva Cidade

Outra Noite na Viva Cidade

A noite e o segredo
rompem vielas escuras
sob a luz do mercúrio
sob a égide do medo
no caminho das agruras
o rascunho do augúrio

Nas tramas da viva cidade
passos da ansiedade
nos corredores noturnos
desvios da fatalidade
marcam semblantes soturnos

O corte da lâmina brilhante
corta um passo aflito
e encontra o eco do grito
num rápido instante.

Wasil Sacharuk
outubro 2009

Limerick express VII

Limerick express VII

O jardim do pecado era o Éden
coberto de flores e macieiras
repleto de bichos que fedem
e tem peçonha sobremaneira
E Adão, só no cinco contra um.

Wasil Sacharuk
outubro 2009

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Pétalas perfumadas


Pétalas perfumadas

Se tua poesia
é tal uma flor
teus versos livres
são pétalas perfumadas
unidos no invisível elo
de rosa selvagem
e de botão amarelo

Se tuas rimas
conjugam o amor
irrompe tua verve
nas noites alucinadas
e exala doce perfume
de eterna primavera
e cheiro, cor e lume.

Wasil Sacharuk
outubro 2009

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Dois lados



Dois lados

O meu esquerdo
é o direito
e o meu acerto
é um defeito

sou um pagão
que tem fé
sou um pão
com café

Sou a clareza
da escuridão
sou a fraqueza
de um corpo são

Sou a beleza
desta feiura
sou a sobremesa
de amargura

Sou tão perto
e tão distante
sou tão esperto
e tão vacilante

Sou o silogismo
da contradição
sou o dualismo
dessa vastidão.

Wasil Sacharuk
outubro 2009

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Uirapuru



Uirapuru

Uirapuru
canta para mim:

quem és tu?

Já cometi grave falta
ao pensar que eras flauta

mas uirapuru é musical
mas uirapuru é cântico
o fenômeno é igual
no Pacífico ou Atlântico

canto de uirapuru é encanto
casa de uirapuru é recanto
sorte é uirapuru empalhado
e azar é o uirapuru ameaçado

Ah, maldita extinção...
o único pássaro livre
é o tal de avião.

Wasil Sacharuk
outubro 2009

domingo, 4 de outubro de 2009

Falácias de vento



Falácias de vento

Do voo sobre os ditames
de toda a tola razão
só sobraram argumentos
seguros como avião
lançado em queda livre

Bater as asas da proposição
enquanto as falácias de vento
ora sopram
ora não
nunca tão cheio
nunca tão vão

Mas foi da lógica do tempo
que decolou a conclusão.

Wasil Sacharuk
outubro 2009

O QUE QUER DE MIM? - acróstico



O QUE QUER DE MIM? - acróstico

O que você pretende?

Qualquer olhar de soslaio?
Um longo beijo? Ou abraço?
Ensaios... apenas ensaios

Quantas e quantas vezes
Ufanei-te em meu coração?
Era essa a sua pretensão
Rir de mim por todos esses meses

Desisto de você agora
E vou sair porta afora

Minha busca será a liberdade
Ideologias e minha identidade
Meu amigo, chegou minha hora!

Wasil Sacharuk
outubro 2009

Leia também:

Sobre o conteúdo do blog:

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A Palavra

Foi somente a palavra que me garantiu um pequeno grau de distinção dos outros bichos. A timidez me confinou à eterna tentativa de domar os instintos enquanto Aristóteles me assombrava com aquela idéia de animal político. E eu não encontrava em mim mesmo tanta politicidade quanto animalidade.
Ainda questiono se sou realmente capaz de integrar uma sociedade e constituir um Estado. É pela palavra o único acesso que tenho ao mundo das pessoas... Por ela sou facilmente influenciado e posso tentar influenciar. É ela que me faz distinguir o meu bem do meu mal e disfarço a imoralidade. Modelo o pensamento seguindo signos confusos que gritam no meu cérebro. Mas, o mais significativo para mim é que pela palavra dou nomes, ou melhor, alcunhas, aos meus sentimentos, valores (quais?).... Ao menos, os nomes distinguem as coisas umas das outras e selam suas diferenças. Todos precisamos de rótulos para ser animal político.
Fico no mesmo barco do Rousseau: não sei se preciso pensar para encontrar as palavras ou encontrar as palavras para pensar. Tudo no meu mundo é tão abstrato que só toma forma quando eu falo, quando escrevo... e se não falo ou escrevo, me escondo.
Penso que toda essa complexidade que se sintetiza num ser vivente, do tipo social, se reveste da textura material das palavras e é mal-compreendida. Como escreveu Lispector: "Inútil querer me classificar... eu simplesmente escapulo... gênero não me pega mais..."
Toda linguagem não dá conta da minha abstração. Brinco com os clichês só para ver se entendo os rótulos. E na minha poesia, ingênua e simples, eu faço minha catarse. E com ela ainda sou bicho... e nem gênero e Aristóteles me pegam mais.
----------------------------
Pois é... eu já escapuli do trabalho, da morte, da vida, de ser e de crer.

Talvez eu tenha sido gerado e nascido numa atmosfera de tensão, e como criança com sede de aprender, registrei o transtorno que causei. Esse infeliz arquivo do inconsciente é, provavelmente, o que gera as limitações que me acompanham ao longo da existência e contamina minha natureza e minha interação com o mundo. E essa mesma reação do nascimento se repete nos momentos decisivos da vida.
A manifestação da minha natureza se contrapõe às influências desse mundo que todos os dias muda de figura. O meu distanciamento é o preço que pago para tentar me adaptar.
A necessidade insistente de responder e gerar soluções nesse meio materialista de identificação em que vivo, coroado por um sistema de valores meramente ornamentais, só me distanciam ainda mais.
Como qualquer outro, eu preciso ser livre. Encarar os meus demônios é, talvez, a dificuldade maior. Mas, quando as portas de acesso a mim mesmo lentamente se abrem, a luz ora acende, ora apaga e, ocasionalmente, se torna ofuscante. Essa é minha oportunidade de mudar.